Educação superior 15 de Março de 2005

Dados do Inep mostram que cor dos estudantes da educação superior difere da cor da população brasileira

Brancos são 20% a mais nas universidades do que na população geral

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulga hoje dados preliminares sobre o percentual de estudantes da educação superior por raça/cor". O trabalho analisa a série histórica 2000-2003, utilizando informações do Questionário Socioeconômico do Exame Nacional de Cursos e os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados apontam que a cor da população da educação superior é bastante diferente da cor da população brasileira. Segundo o IBGE, em 2003 os brancos representavam 52% dos brasileiros. Já a população branca na educação superior é de 72,9%, o que significa mais de 20% de brancos nas Instituições de Educação Superior (IES) do que na população geral. "Esses dados demonstram a necessidade das políticas de cotas", analisa o presidente do Inep, Eliezer Pacheco.

A pergunta "Como você se considera? Branco? Negro ou Preto? Pardo ou Mulato? Amarelo de Origem Oriental? Indígena ou de Origem Indígena?" foi respondida por centenas de milhares de estudantes nos últimos anos pelos participantes do Exame Nacional de Cursos (ENC). Conforme o estudo, quando se comparam os percentuais das respostas dadas a estas perguntas com os dados do IBGE, no mesmo período, constata-se que a proporcionalidade existente entre a raça/cor na sociedade como um todo não se reproduz entre os estudantes no campus.

A série histórica 2000-2003 indica que ao longo dos últimos anos vem diminuindo percentualmente a representação de brancos no campus (-7,0%), enquanto cresce a de pretos e pardos (+1,4% e +7%, respectivamente). A representação de amarelos e indígenas se manteve relativamente estável, com pequena diminuição em ambos os grupos. "Quando, no entanto, comparamos os percentuais históricos de estudantes brancos, negros e pardos no campus com os percentuais da população do IBGE percebemos que permanece bastante grande a diferença entre ambos e que há um longo caminho a ser trilhado até que se alcance a paridade destas representações", avalia o presidente do Inep. Os números mostram ainda que com o crescimento médio anual da população de negros e pardos no campus de aproximadamente 0,4% e de pardos de 1,2%, mantidos os níveis atuais de crescimento da representação percentual da população no campus, a paridade só poderá ser alcançada daqui a 20 anos.

Diferença sociedade/campus é maior no Nordeste

Os dados gerais da população universitária por região, quando comparados com as respectivas representações regionais da população brasileira, mostram que na população branca, a diferença global, no País, entre o campus e a população geral, é de 20 pontos percentuais. A diferença no tocante à população branca é de 14,3% no Norte, 25,9% no Nordeste, 16,1% no Sudeste, 8,4% no Sul, e 19,2% no Centro-Oeste, sempre em favor do campus. "As diferenças são, portanto, significativas. Observa-se ainda que, em todas as regiões do país a proporção de brancos no campus é superior à sua representação na população", revela o Inep.

Com relação aos negros e pardos observa-se em geral exatamente o contrário. Apenas na região Norte a sua representação no campus supera a sua representação na população. Observa-se que, no País, há 5,9% de negros e no campus brasileiro apenas 3,6%. Na Nordeste, há 6,3% de negros na população e 6,2% de negros no campus; na Sudeste há 6,8% de negros na população e a metade (3,4%) de negros no campus; na Sul, são 3,6% de negros na população e menos da metade (1,4%) de negros no campus e, por fim, no centro-oeste há 4,5% de negros na população e 4,3% no campus. "Verifica-se que o sul e o sudeste estão longe de terem atingido a paridade na representação". Importante é que quanto mais economicamente desenvolvida é a região (como a Sudeste e a Sul) diminui a participação percentual de negros no ensino superior comparada às outras regiões brasileiras.

Observação: A Pnad e o Inep coletam as informações de forma diferenciada, o que explica a ausência de dados na Pnad para amarelos e indígenas, classificados como outros. As maiores discrepâncias entre a representação de cor/raça dentro e fora do campus estão entre os pardos/mulatos. No País há o dobro de mulatos na população do que na educação superior. No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a representação de pardos no campus é pelo menos 20% menor do que a sua representação na população. No Sudeste e no Sul, a representação na população é mais do que o dobro da representação no campus.

Nas federais, diferença é de 10%

Especificamente nas Instituições Federais de Educação Superior (Ifes), a representação percentual de brancos supera em 10,0% a dos brancos na população brasileira, embora haja em média, no campus das IFES, uma representação 10,9% superior ao campus brasileiro como um todo. "O mesmo quadro se repete entre os negros e pardos, com as IFES tendo uma representação percentual superior à das demais IES. Ainda assim ela é significativamente menor do que a representação do grupo na população brasileira", revela o Inep (veja quadro).