31 de Dezembro de 2009

Inep

Mulheres ganham dos homens em nível de instrução

À exceção de alguns países, onde os fatores culturais e religiosos ainda exercem grandes diferenças entre gênero, as mulheres estão começando a superar os homens em nível de escolarização. Na média dos países da OCDE, os homens ainda levam vantagem, mas em 15 países as mulheres já estão à frente em formação de nível médio e superior nos grupos etários mais jovens (25 a 34 anos).

Dentre os fatores socioeconômicos e culturais que explicam este fenômeno, o de maior influência tem sido o ingresso das mulheres no mercado de trabalho. Elas estão sendo estimuladas a buscar um melhor nível de escolaridade, até mesmo como forma de compensar a discriminação salarial de gênero que continua existindo, conforme comprovam pesquisas recentes.

No Brasil, há uma proporção maior de mulheres que já cursaram pelo menos o ensino médio completo ou superior. Elas estão à frente dos homens nos grupos de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos. Os homens ganham nos grupos mais idosos, de 45 a 54 anos e de 55 a 64 anos.

Elas são maioria entre os alunos do ensino médio e do ensino superior e entre os alunos da 5ª à 8ª série do ensino fundamental. Em 1998, elas somavam 56% do total de alunos matriculados no ensino médio e 54% dos alunos do ensino superior. Entre os concluintes, elas também são maioria. Em 1998, eram do sexo feminino 53,6% dos alunos que concluíam o ensino fundamental, 58,5% do ensino médio e 61,4% do ensino superior.

Até o final dos anos 80, os homens estavam em vantagem em termos de média de anos de estudo. Esta posição se inverteu na década de 90, quando as mulheres melhoraram mais rapidamente o seu perfil educacional.

No caso brasileiro, a forte associação entre pobreza e trabalho infantil reforça perversamente essa diferenciação de gênero, em detrimento das crianças e adolescentes do sexo masculino, que são chamados com maior freqüência a contribuir com o sustento da família em atividades incompatíveis com a rotina escolar.

Embora também se verifique incidência de trabalho infantil entre as meninas pobres, em geral elas se dedicam a afazeres domésticos, mais facilmente compatíveis com os horários e atividades da escola.